domingo, 24 de fevereiro de 2008

SP aprova lei contra político mentiroso

SÃO PAULO APROVA LEI CONTRA POLÍTICO MENTIROSO COMENTÁRIO DO MILITAR LEGAL:Enquanto que no estado do Rio de janeiro o Governador manda prender blogueiro que reivindica o cumprimento de suas promessas de campanha eleitoral, a cidade de São Paulo dá uma aula de democracia ao Brasil, ao aprovar por unanimidade uma lei que obriga os Prefeitos a cumprirem sua metas prometidas.Muitos ainda acreditam que o Rio de janeiro é a "Vitrine do Brasil",porém isso não é mais realidade, aliás, ainda somos vitrine sim , mas infelizmente do arbítrio, das marchas em defesa da maconha, etc. Abaixo TRANSCREVO matéria do Movimento Nossa São Paulo: Em uma sessão histórica para a gestão pública de São Paulo, a Câmara Municipal aprovou nesta quarta (19/02) o projeto de emenda à Lei Orgânica(Constituição Municipal) que obriga os prefeitos a divulgar um plano de governo detalhado em até 90 dias após assumir o cargo e a prestar contas à população a cada seis meses. O PLO 008/07 foi aprovado, em segunda votação, por unanimidade de 54 votos(de um total de 55 vereadores), sob o olhar atento de dezenas de representantes da sociedade civil que estavam presentes nas galerias do plenário. Por ser emenda à Lei Orgânica, o projeto não precisa passar por aprovação do prefeito Gilberto Kassab. www.militarlegal.blogspot.com

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Indios Amparados x Indios Desamparados

Índios do Pará serão tratados nas aldeias x Genocídio no Mato Grosso do Sul SOROPOSITIVOS Sespa (Secretária Estadual de Saúdo do Estado do Pará) e Funasa vão levar assistência médica às tribos para evitar perda da cultura.(Desde o encontro do dia do índio, onde o governo do Estado puxou às responsabilidades para si, e acompanhamos as ações prometidas neste dia, e vamos enaltecer o que realmente este governo fará fora do discurso como a reportagem abaixo: Índios serão tratados nas aldeias.Os casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids estão aumentando no Pará. Ano passado, foram registrados 91 casos de DST, o que aumenta a probabilidade de contaminação com o vírus HIV. Três casos de Aids foram registrados entre índios que vieram à Belém procurar o tratamento adequado. Diante disso, a Secretaria Estadual de Saúde (Sespa), em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), está desenvolvendo ações para detectar, monitorar e prestar assistência aos índios contaminados com o vírus. De acordo com a coordenadora de DST/Aids da Sespa, Débora Crespo, a preocupação é preservar a cultura do índio dentro de seu habitat natural, o que é perdido quando ele começa a migrar para as grandes cidades. “Eles acabam perdendo a sua identidade cultural. Levando assistência, eles não vão precisar se deslocar até aqui (capital)”.Os índios são considerados uma população de risco, por estarem vulneráveis às Doenças Sexualmente Transmissíveis, já que possuem hábitos oriundos de sua própria cultura, como furar as orelhas com o mesmo material utilizado por outros índios, sem haver esterilização. Os casos mais freqüentes de DST ocorrem em aldeias próximas às cidades e áreas de mineração e extrativismo, onde a cultura do homem branco está presente, proporcionando o contato do índio com prostituição e drogas, aumentando o risco de infecção. A Sespa e a Funasa realizarão ações onde serão feitos exames de HIV, sífilis e hepatites virais nos postos da Funasa dentro das aldeias. Também haverá palestras educativas nas escolas das aldeias. “Vamos utilizar a CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) intinerante para levar uma estrutura de saúde pública para as aldeias”, afirma Débora Crespo. A Sespa e a Funasa começaram essas ações no mês passado, em duas aldeias de Tomé-Açu (pertencente ao Pólo Guamá Tocantins), para atingir quase 250 índios. Em setembro, uma oficina com representantes das aldeias vai determinar a campanha a ser realizada com cada povo, já que cada um reage e entende a doença de uma maneira. Além da barreira do dialeto, serão discutidos os materiais a serem elaborados para a educação sexual do índio e qual a melhor forma de realizar o trabalho de prevenção, como o incentivo ao uso da camisinha.Elyne SantiagoEm contra partida a noticia que postamos abaixo (Leia mais...) é o descaso em que o governo federal e o governo Estadual de Mato Grosso do Sul, realmente deixam a desejar com a cultura milenar destes nossos irmãos parentes a beira da sorte e da contaminação radical da civilização branca.É isto que queremos nos noticiários de repercussão nacional? Vamos colocar mais lenha nesta fogueira, ou vamos sim arregaçar as mangas e por um basta nisto.Se você pode ajudar, se você pode falar com pessoas de peso e com responsabilidade social, esta é a hora. Isto é emergente se você realmente aplaude nosso trabalho, ajudem com o mínimo em recursos financeiros para estes que estão à frente e batendo de corpo com o emergencial problema dos nossos parentes. Seremos eternamente gratos, se não leia apenas e vá dormir, pois eles estão longe do seu habitate.A minha companheira e parceira Liana Utinguassú é de minha confiança e de uma reputação moral digna do apoio que ora dou. (VILLAS-BÔAS Paulo Celso)

Critíca ao Governo Lula

Caros Amigos: Realmente muito interessantes e oportunos os comentários do Professor Barbato sobre o Presidente da República. Gostaria apenas de tecer alguns comentários adicionais sobre o fato do dirigente maior da Nação se considerar um baluarte da moral e ética, mesmo depois de nunca ter trabalhado de fato, receber há mais de 20 anos pensão vitalícia do PT para apenas ser um " garoto de propaganda" da Revolução Marxista de Esquerda e de receber uma pensão vitalícia por " perseguido político", pois participou de alguns grupos de esquerda que tentaram implantar no país a " Ditadura do Proletariado", aquela falácia marxista que condenou no mundo mais de 100 milhões de seres humanos à morte, patrocinada pelo dinheiro dos Grandes Banqueiros Internacionalistas Rotschild e Rockfeller ( isso mesmo, o Comunismo sempre foi bancado pelo Capitalismo, ao contrário do que a Escola contaminada pela ideologia Gramscista sempre nos ensinou de maneira covarde e mentirosa). O único sentimento que podemos nutrir pelo senhor Lula é o de pena e compaixão. O senhor Lula não sabe, mas ele representa apenas um fantoche dos verdadeiros Donos do Mundo e do Brasil, os Banqueiros Internacionais. Nunca o senhor Lula foi contrário a FHC, ou Collor, ou Sarney e nem mesmo contra os militares no poder, pois todos esses sempre trabalharam para perpetuarem o poder das Casas Bancárias no Brasil, esses sim os verdadeiros governantes do País. Duvidam?? Vejam então o lucros dos principais bancos durante o ' Governo Popular" do senhor Lula e os ganhos de juros do FMI nesse " Governo de Esquerda", que prometeu um dia " Botar o FMI para correr"!!!! Agora estão fabricando o novo Lula, a senhora Heloisa Helena. Essa senhora vem, critica os banqueiros, vocifera contra os patrões, ataca os burgueses e endinheirados ( assim como a milionária Marta Suplicy) e ao mesmo tempo quem banca sua campanha são os banqueiros!! Já vou dizer para vocês os dois próximos Presidentes da República, não precisam nem votar: Aécio Neves, 8 anos e depois a revolucionária Heloisa Helena, tudo já determinado pelos " Donos do Brasil". Portanto, criticar o Lula pela sua ignorância e estupidez, parece-nos um exercício óbvio do absurdo. Por que não criticar os verdadeiros culpados pela miséria do povo brasileiro, a Casa dos Rotschild, a Casa dos Rockfeller, a Casa dos Warburg, o Grupo Bilderberg e todos os serviçais desses " Adoradores do Bezerro de Ouro", que escravizam o mundo e a Nação brasielira há mais de 200 anos, com sua ciranda financeira e seu internacionalismo comunista e capitalista ???

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Liberalismo x Democracia social

Liberalismo versus democracia social por Alfredo Bosi [*] Se há um objetivo que Losurdo persegue de modo coerente ao longo desta Contra-história do liberalismo é o de preferir o exame das políticas liberais "em sua concretização" ao engessamento em definições genéricas pelas quais o termo "liberalismo" se toma como uniforme e abstrata doutrina. A sua regra de ouro é historicizar sempre, isto é, analisar os papéis efetivos que os diversos grupos políticos exerceram em nome de idéias e ideais liberais. O método é fecundo, daí a riqueza dos resultados. Limito-me a pontuar alguns momentos fortes em que vemos, em ato, propostas e decisões tomadas por políticos assumidamente liberais. John Calhoun, vice-presidente dos Estados Unidos entre 1829 e 1832, líder do Partido Democrático, escreveu textos apaixonados em defesa da liberdade individual e das minorias, contra os abusos do Estado e a favor das garantias constitucionais. Sua fonte teórica é o pai do liberalismo político inglês, John Locke. Ao mesmo tempo e com igual convicção, Calhoun defende a escravidão dos negros como um "bem positivo", recusando-se a considerá-la como "mal necessário", fórmula concessiva de seus companheiros de partido e fé liberal. Os abolicionistas, os philanthropists religiosos, eram, para Calhoun, "cegos fanáticos" que se propunham a destruir "a escravidão, uma forma de propriedade garantida pela Constituição". Losurdo poderia, a partir desse primeiro exemplo, ter ido um pouco além e verificar que estudiosos e expositores de Adam Smith nos estados do Sul não viam nenhuma contradição entre proclamar os dogmas da Economia Política clássica e defender a peculiar institution, como chamavam o cativeiro negro. O que inquieta nosso autor é constatar o prestígio neoliberal dos textos de Calhoun reeditados em 1992 em uma coleção norte-americana que se intitula "Clássicos da Liberdade". A relação entre doutrina liberal e escravidão, que, teoricamente, pareceria uma disjuntiva radical, revela-se na "verità effettuale della cosa" (não por acaso, expressão de Maquiavel) uma conjunção reiterável nos mais diversos contextos. Começando por John Locke: solicitado pelos proprietários da Carolina a colaborar na redação das Constituições daquela colônia, o filósofo subscreveu um artigo (de n.110) pelo qual "todo homem livre da Carolina deve ter absoluto poder e autoridade sobre seus escravos negros, seja qual for sua opinião e religião". Locke, entusiasta da Revolução Gloriosa e acionista da Royal African Company, escrevia no século XVII. John Stuart Mill, em pleno século XIX, retomaria galhardamente os ideais de liberdade individual na mais pura tradição britânica, mas não deixaria de afirmar que "o despotismo é uma forma legítima de governo quando se lida com bárbaros, desde que a finalidade seja o seu progresso e os meios sejam justificados pela sua real obtenção". Mais adiante, exige "obediência absoluta dos bárbaros", cuja escravização seria "uma fase necessária, válida para as raças não civilizadas". São exemplos de atitudes que não se esgotam, porém, na hipótese, só em parte verdadeira, de que foi a situação colonial a responsável pela combinação de liberalismo com a escravidão. Calhoun era vice-presidente de uma nação que já desfrutava, havia mais de meio século, de altiva independência política. Losurdo lembra incisivamente: Em 32 – dos primeiros 36 anos dos Estados Unidos – os que ocupam o cargo de Presidente são proprietários de escravos provenientes da Virgínia. George Washington, grande protagonista militar e político da revolta anti-inglesa, John Madison e Thomas Jefferson (autores respectivamente da Declaração da Independência e da Constituição Federal em 1787), foram proprietários de escravos. Quanto à hegemonia da liberal Inglaterra no que se refere ao tráfico ao longo do século XVIII, sabe-se que a Royal African Company arrancou da decadente Espanha o monopólio do comércio de carne humana. No caso da Holanda, pátria da tolerância religiosa nos séculos XVII e XVIII, a conivência assumida com o tráfico é de molde a abalar os corações eurocêntricos mais convictos. O primeiro país a entrar no caminho do liberalismo é o país que revela um apego particularmente ferrenho ao instituto da escravidão. Em 1791, os Estados Gerais declaram formalmente que o comércio dos negros era essencial para o desenvolvimento da prosperidade e do comércio nas colônias. E deve-se lembrar que a Holanda abolirá a escravidão nas suas colônias só em 1863, quando a Confederação secessionista e escravista do Sul dos Estados Unidos caminha para a derrota. Losurdo tenta, a certa altura, percorrer outro caminho para enfrentar a relação que se estabeleceu no Ocidente entre ideologia liberal-capitalista e trabalho compulsório. Lembrando que o número de escravos trazidos da África aumentou de modo extraordinário na primeira metade do século XIX, precisamente quando o liberalismo se convertia em ideal hegemônico além e aquém do Atlântico, o autor vai rastrear uma das razões então alegadas para justificar o cativeiro dos negros: a inferioridade racial. Os liberais, para manter a cara limpa em face da violência que os seus interesses os levavam a perpetrar, lançam mão do preconceito que a ciência do século já estava transformando em dogma. A discriminação permaneceria ainda mais viva depois da abolição, e aqui a observação de Tocqueville é de citação obrigatória: "Em quase todos os estados [dos Estados Unidos], nos quais a escravidão foi abolida, são concedidos aos negros direitos eleitorais, mas, se eles se apresentam para votar, correm risco de vida. Oprimido, pode até lamentar-se e dirigir-se à magistratura, mas encontra só brancos entre os seus juízes". O que se conhece da discriminação racial ao longo dos séculos XIX e XX (linchamentos, apartheid...) só viria confirmar a reprodução dos limites internos da burguesia liberal que, chegando ao poder, sabe quem e como excluir. No capítulo central da obra, Losurdo volta-se para a história exemplar do liberalismo francês entre as revoluções de 1789 e 1848. A admiração anglófila dos philosophes é conhecida. A Inglaterra é o modelo perfeito das liberdades para Voltaire e Diderot, como o fora para Montesquieu. O alvo, atingido na ilha, é o absolutismo combinado com os abusos da nobreza e do clero. Mas, passado o Terror, todo o esforço das novas gerações liberais será, desde o Diretório, "terminar a revolução". A escravidão nas Antilhas é abolida pela Convenção, mas será restaurada por Napoleão em 1802, em nome dos sagrados direitos de propriedade dos colonos. Direitos que serão mantidos pela política de centro-direita da Restauração (1814-1830) e continuariam intactos sob a monarquia liberal de Luís Felipe (1830-1848). Direitos, enfim, plenamente confirmados pelos decretos da abolição que obrigavam o novo Estado republicano francês a indenizar os proprietários dos 250.000 escravos libertados. As observações do autor rimam com o excelente (embora não citado) Le moment Guizot de Pierre Rosanvallon, que reconstituiu a história dos mecanismos antidemocráticos acionados pelos grandes mentores do liberalismo francês, Guizot, Thiers, Benjamin Constant. Entre esses mecanismos, o mais eficiente foi o voto censitário que entronizou a figura do cidadão-proprietário em todas as nações do Ocidente que emergiam da crise do Antigo Regime. É curioso verificar que a questão do trabalho compulsório é aleatoriamente levantada por alguns liberais, que hoje situaríamos na conjunção de centro e esquerda, como Raynal, Condorcet e Brissot. Os três confiam na "revolução americana", modelo que substituiria, nos seus escritos, a anglofilia dos enciclopedistas. Onde o liberalismo excludente encontra a mais firme resistência é no pensamento abolicionista radical. A voz enérgica do abbé Grégoire se faz ouvir na Convenção exigindo a supressão imediata e total do trabalho escravo nas colônias e enaltecendo a figura de Toussant Louverture e a revolução do Haiti. "Uma república negra no meio do Atlântico" – diz Grégoire – "é um farol elevado para o qual dirigem o olhar os opressores enrubescendo e os oprimidos suspirando. Olhando-a, a esperança sorri para os 5 milhões de escravos espalhados nas Antilhas e no continente americano". (De passagem, falta traduzir para o português a obra pioneira desse bispo republicano que tão bravamente denunciou a escravidão e o preconceito de cor: De la noblesse de la peau, ou du préjugé des blancs contre la couleur des Africains et celle de leurs descendants noirs e sang-mêlés.) Quem retomaria a bandeira de Grégoire seria outro republicano radical, este agnóstico, Victor Schoelcher, que conduziu a luta final pela abolição em plena revolução de 1848. Nessa altura de sua exposição, Losurdo pode traçar a linha principal de clivagem. De um lado, o liberalismo clássico, proprietista e excludente e, quando lhe é proveitoso, racista e escravista. De outro, o radicalismo democrático, que tem como horizonte precisamente superar as barreiras de classe e de raça que os liberais conservadores ergueram para defender os seus privilégios. O autor detém-se longamente nas oscilações do mais fino e arguto dentre os liberais franceses, Alexis de Tocqueville. Não cabe nesta resenha enumerá-las. Verá o leitor que, após 48, Tocqueville retrai-se em face dos movimentos democráticos da Itália de Mazzini e da Hungria de Kossuth, perdendo o equilíbrio que marcara A democracia na América e chegando a augurar um projeto militar que reverta o processo revolucionário desencadeado em quase toda a Europa. Quanto à recente conquista da Argélia, Tocqueville não usa de meios-termos: é preciso domar completamente as populações árabes e forçá-las a viver sob a civilização branca, francesa. Involução ou coerência do capitalismo liberal europeu que está reiniciando, nesse momento, o ciclo da conquista colonial prestes a atingir todo o continente africano? A discutir. Na esfera do radicalismo, Losurdo situa certas declarações de Simón Bolívar (hoje tão oportunas), que, louvando a revolução do Haiti, sonha para a América andina uma democracia de brancos e índios, negros e mestiços. Resta perguntar: o que fizeram os políticos liberais que assumiram o poder na maioria das novas nações americanas? O que sabemos ao certo é que houve uma reprodução local da conivência de liberalismo burguês e escravidão (caso do Brasil, das Antilhas e do sul dos Estados Unidos); e uma fusão do mesmo liberalismo formal com a semi-servidão do indígena na Colômbia, no Equador, no Peru e na Bolívia. Caso Losurdo houvesse tratado mais detidamente das formações sociais latino-americanas, muito lhe teria aproveitado a leitura dos Sete ensaios de interpretação da realidade peruana (1928), em que Mariátegui desvendou a estreita relação entre a política liberal-oligárquica, que regia o Peru após a Independência, e a brutal exploração do índio nos latifúndios da região serrana. Os argumentos dos liberais conservadores brasileiros não eram nada originais: misturavam críticas anódinas à instituição com firmes recusas de enfrentar o problema de fundo, alegando sempre os interesses de nossa economia de exportação sustentada pelo braço negro. No plano político-jurídico, a Constituição de 1824, incorporando dispositivos da Carta da Restauração e o duro proprietismo do Código Napoleônico, omitia pudicamente o termo "escravidão", exatamente como fizeram os autores da Constituição norte-americana e as cartas liberais das monarquias européias. Cá e lá..., o cimento ideológico aplicado pelos donos do poder valeu-se largamente do rótulo prestigioso do liberalismo. O cerne da questão desnuda-se e ganha atualidade quando o autor passa da relação senhor-escravo, ainda vigente nos meados do século XIX, para o par moderno patrão-operário. Vem então à luz a oposição estrutural entre capital e trabalho e, em termos ideológicos, entre o liberalismo e os vários socialismos que se foram gestando na prática das lutas operárias e na cabeça de pensadores revolucionários ou reformistas. Em toda parte aonde chega a Revolução Industrial, a regra é a superexploração do trabalhador e a degradação de sua qualidade de vida, como agudamente a descreveu Engels na Manchester de 1844. A tensão que se estabelece entre legisladores liberais e os sindicatos é recorrente e não podemos dizer que tenha desaparecido. O neoliberalismo é o grande adversário das garantias trabalhistas que pretende, à Thatcher e à Reagan, suprimir ou precarizar. Um dos apóstolos do fundamentalismo liberal-capitalista, Hayek, considera "dever moral do Estado" (sic!) impedir que os sindicatos interfiram no jogo livre do mercado. É no mínimo estranho que ainda se diga, de boa ou de má-fé, que o liberalismo foi ou é sinônimo de democracia económica e social. Ou então que só no Brasil a burguesia imperial e seus porta-vozes no Parlamento encenaram uma comédia ideológica ao protelarem a abolição do cativeiro. Se farsa houve, ela foi representada em diversos contextos e em todo o Ocidente desde que se criou o termo liberalismo. O ensaio de Losurdo contribui para desfazer qualquer equívoco eurocêntrico ao demonstrar que o poder liberal, onde quer que estivesse instalado, não se propôs jamais compartilhar com "os de baixo" as suas sólidas vantagens. Não se tratava de comédia, mas do drama composto, em nível mundial, pela estrutura contraditória do capitalismo em expansão. A oposição entre liberalismo e efetiva democracia social oferece exemplos em toda parte, desde os mais grosseiros e violentos até os mais refinados. Um dos mais eminentes economistas liberais italianos, Einaudi, chamava, em 1909, o imposto progressivo de "banditismo organizado para roubar o dinheiro dos outros mediante o Estado". Losurdo poderia fechar o seu belo ensaio citando uma tese de Karl Polanyi reexposta brilhantemente em As metamorfoses da questão social de Robert Gastel: o mercado auto-regulado, forma pura do desenvolvimento da lógica econômica entregue a si mesma, é, estritamente falando, inaplicável, porque não comporta nenhum dos elementos necessários para fundar uma ordem social. Mas poderia destruir a ordem social que lhe preexiste. Textos de Losurdo em resistir.info: As raízes norte-americanas do nazismo Negacionismo e liberdade de investigação [*] Professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo e autor, entre outras obras, de História concisa da literatura brasileira, O ser e o tempo da poesia, Dialética da colonização, Machado de Assis: o enigma do olhar, Literatura e resistência de Brás Cubas em três versões. É editor da revista ESTUDOS AVANÇADOS e membro da Academia Brasileira de Letras. abosi@usp.br O original encontra-se na revista Estudos Avançados , nº 59. Esta resenha encontra-se em http://resistir.info/ . 26/Jul/07

As amantes de Mauricio de Nassau

Jornal do Commercio As amantes de Nassau Publicado em 27.07.2007 Leonardo Dantas Silva Ao contrário dos portugueses que traziam suas famílias aferrolhadas nas casas-grandes, escondendo suas mulheres e filhas da vista de estranhos e até mesmo dos parentes, o holandês era mais liberal no trato da vida do lar e de suas relações em sociedade. Em maior número do que as originárias de Portugal, as mulheres holandesas revelavam jovialidade pouco comum às nativas. Testemunha frei Manuel Calado, quando das festas em regozijo à Aclamação do Duque de Bragança, D. João IV, ao trono de Portugal, realizadas no Recife em abril de 1641: "Nesses convites se achavam as mais lindas damas e as mais graves mulheres, holandesas, francesas e inglesas, que em Pernambuco havia, e bebiam alegremente melhor que os homens, e arrimavam-se ao bordão de que aquele era o costume de suas terras". No ambiente da família holandesa, ao que se depreende das inúmeras denúncias chegadas ao Conselho Eclesiástico, a situação parecia não ser diferente, como assevera Hermann Wätjen: "Muita mulher infiel de soldado, metida em varas, teve de passar horas inteiras no pelourinho, exposta ao calor ardente do sol, na praça pública, muita dama elegante foi vergastada coram publico pelo carcereiro mor". Como agente ativo da prática do adultério não escapou nem o conde João Maurício de Nassau, que teria tido relacionamentos afetivos com várias mulheres, inclusive com Dona Anna Paes, proprietária do Engenho Casa Forte, que o tratava "de vossa excelência a muito obediente cativa". Em 1630, quando da invasão holandesa, Dona Anna Paes (1612-1678) era casada com o capitão Pedro Correia da Silva, morto em combate quando da defesa do Forte São Jorge. Viúva ainda jovem, Anna Paes veio novamente a casar com o capitão holandês Charles de Tourlon, oficial da guarda pessoal do conde de Nassau, continuando a residir em seu engenho em Casa Forte. Em 1643, acusado por Nassau de crime de traição, foi Charles de Tourlon preso e remetido de volta à Holanda, tendo falecido na Zelândia em 18 de fevereiro de 1644. Novamente viúva, Anna Paes torna a casar com o conselheiro Gisbert de With, do Conselho de Justiça, em companhia de quem se transfere para a Holanda e aonde vem a falecer em 1672. Mulher instruída, ela oferece ao conde a dádiva de "seis caixas de açúcar branco", cada caixa de açúcar pesava em média 20 arrobas, ou seja, 300 quilos. Divulgada pela primeira vez por José Higino Duarte Pereira, no n.º30 da Revista do Instituto Arqueológico Pernambucano (Recife, 1886), transcrita com correções por José Antônio Gonsalves de Mello, em 1947, a carta em questão, numa leitura livre do português em uso nos nossos dias, teria o seguinte teor: "Ilmo. Sr. - Como nós devemos toda a obediência a nossos superiores tanto mais a vossa excelência de quem temos recebido tantas honras e mercês, assim que este ânimo me faz tomar atrevimento de pedir a vossa excelência queira aceitar seis caixas de açúcar branco, perdoando-me vossa excelência o atrevimento (que meu ânimo é de servir a vossa excelência) e fico pedindo que Deus aumente a vida e estado de vossa excelência para amparo de suas cativas. De vossa excelência a muito obediente cativa Dona Anna Paes". Mas não ficou somente em Dona Anna Paes, o relacionamento do conde João Maurício de Nassau com outras mulheres. Denuncia frei Manuel Calado o seu envolvimento com Margarita Soler. Tratava-se de uma jovem senhora casada com um senhor-de-engenho, que abandonara o marido, segundo o seu próprio pai, em razão de sua frieza (impotência) e de suas ausências com os seus compromissos matrimoniais. Era ela filha do reverendo calvinista Vicente Soler, espanhol de Valência, o qual tendo sido frade agostiniano migrou para a França onde adotou o calvinismo, vindo a casar-se com uma mulher de nome Maria, de cujo casamento lhe vieram dois filhos Margarita e Jean Soler. Escreve frei Manuel Calado ser "Margarita Soler uma das amantes do Conde de Nassau, que a desprezou pelo amor da filha do sargento-mor Cornélio Bayer", fato que veio dar "causa da filha de Soler morrer de paixão e de tristeza". Em se falando das aventuras amorosas de João Maurício, o escritor José Van den Besselaar, lembra ainda as suas ligações com Inês Gertrudes Van Byland, esposa do seu mordomo em Cleve, da qual existe um retrato pintado por Jan de Baen (o mesmo que pintou o retrato de Nassau) no museu daquela cidade da Alemanha: "A vida amorosa de Maurício está por se escrever ainda, e talvez seja impossível reconstruí-la, porque neste terreno é muito difícil separar os boatos mexeriqueiros de informações seguras e objetivas. Só podemos dizer que Maurício, ao contrário de muitos outros príncipes da sua época, não deixou bastardos conhecidos como tais". » Leonardo Dantas Silva é jornalista e escritor. --

domingo, 29 de julho de 2007

A chegada do ACM no Inferno

"A chegada de ACM no Inferno" Por Tonho da Jumenta O Diabo ficou louco quando ACM morreu, O Inferno era pouco diante do poder que ACM perdeu. Já sabia o Diabo que pra cá ele viria E que ía querer governar e no Inferno mandar. Pensou então o Diabo no que deveria fazer, Reuniu o Conselho de velhos diabos de grande saber, Depois de muita confabulação, resolveu o Conselho, Para evitar confusão, pedir aos Céus que desse a ACM todo o perdão. Dessa forma ACM no céu ficaria, Evitando assim a disputa de poder, Que por certo aconteceria entre o Grande Diabo E o que ACM poderia querer. As maldades que ele fez aqui na Terra, Deram a ele o apelido de Toninho Malvadeza, O que lhe daria no Inferno um certo grau de nobreza, Ameaçando o poder do Diabo com toda certeza. ACM muito esperto já sabia que no céu não mandaria Porque já estava Nosso Senhor que lá vivia, A quem todos do Céu tinham grande simpatia, ACM concluiu que ali não tinha vez, Então do Céu fugiu e foi isso que ele fez. Quando chegou no Inferno o porteiro não quis receber, Pois tinha do Diabo essa clara instrução, ACM reclamou disse que assim não poderia ser, Uma vez que tinha morrido e merecia consideração. O porteiro ligou pro Diabo e explicou a situação, O Diabo deixou entrar porque era sua obrigação, Mesmo sabendo que ACM iria provocar confusão, Pois quando era vivo comandava um perigoso pelotão. ACM foi entrando e foi logo mandando:"Mande fazer uma licitação de uma grande obra, Vai ganhar o meu genro que tem conhecimento de sobra, Com a vantagem de ter na minha mulher a sua sogra. Quanto a Comunicação, passe logo tudo pra mim, Para que eu faça a distribuição de rádio e televisão, Vão todas para os amigos para não haver discussão, Pois tem muito esquerdista nesta grande nação. Quero também deixar claro a minha intenção, Quero tudo pra mim, seja lá qual for o tostão, Pobre tem que continuar pobre para que a política tenha precisão, Pois se esse povo se soltar vai ter muita aperreação". O Diabo preocupado com medo de ficar de lado, Tramou logo uma conspiração, mas ACM convocou o neto E fizeram uma reparação, colocaram microfone no tetoDe todo e qualquer cristão. Com o grampo descobriram logo a armação, ACM fez uma pasta com a sujeira de cada um, Mostrou a eles a ameaça de uma detenção, E para evitar o zum-zum-zum, Os capetas deixaram o diabo na mão. Agora, o Diabão vive isolado, com pensão de aposentado, Enquanto ACM manda em tudo, com o nome de Malvadeza II, Todo posudo, Rei do mundo da escuridão, nem está preocupado Com a sua expiação, pois como queria, continua com o poder na sua mão. Tonho da Jumenta é um cordelista de Poço Redondo (SE).

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Até o caos aéreo caiu na mídia estrangeira, pior situação para o nosso Brasil

Mais uma vez o nosso país recebeu uma desmoralização enorme até na mídia internacional olhe só e principalmente deprimente.
Imprensa internacional comenta crise aérea brasileira
25/07/2007
O caos que engloba atrasos e cancelamento de aproximadamente 50% dos vôos e o agravamento da crise aérea no Brasil vêm sendo comentados por veículos como Fox News, CNN, BBC e a revista Economist.
A Anac vetou a venda de passagens para vôos iniciados de Congonhas, e impôs limite de 60 dias para que todos os vôos saindo do aeroporto ou chegando a ele tenham duração de duas horas, no máximo.
A Infraero informou que 109 dos 219 vôos previstos em Congonhas foram cancelados ontem, e que os atrasos no país alcançaram mais de 37%. O fechamento de Congonhas para pouso por três vezes em função das chuvas deixou o aeroporto sem aviões e provocou um efeito dominó, atingindo outros aeroportos brasileiros.