quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Uma nova política de privatização da empresa e quem vai comandar são os empresários .

Direção da ECT anuncia criação de concessionárias
Uma política de privatização e favorecimento dos empresários “amigos” do governo
Em reunião com representantes dos trabalhadores diretoria da empresa se recusa a revelar proposta de novo estatuto com mudanças no funcionamento da empresa e anuncia criação de concessionárias

30 de janeiro de 2011
Na última terça-feira, dia 25, aconteceu uma reunião da direção da ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos com a direção da Fentect – Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios para recebimento de reivindicações dos trabalhadores, particularmente, o pedido de cópia do novo estatuto elaborado pela direção da empresa, prevendo mudanças no funcionamento da empresa de Correio, notícia veiculada pela imprensa capitalista.
Estiveram presentes na reunião a diretoria empossada pelo governo Dilma Roussef: o presidente da ECT, Wagner Pinheiro; o Diretor de Operações, José Eduardo Xavier, militar reformado; o diretor de administração, Nelson Luis Oliveira de Freitas; o diretor econômico-financeiro, Luis Mário Lepka, administrador de carreira do Banco Central. Também estiveram presentes o Diretor Comercial, José Furlan Filho, ex-diretor regional dos Correios em São Paulo; o Diretor de Gestão de Pessoas, Larry Manoel Medeiros de Almeida, ex-diretor regional do Correio no Rio Grande do Sul e o Diretor de Tecnologia e Infraestrutura, Antonio Luiz Fuchino, administrador de carreira do Banco do Brasil.
Estilo petista de administração
Na reunião o presidente da ECT informou que não poderia fornecer cópia da nova proposta de estatutos da ECT, uma vez que teria que consultar o departamento jurídico da empresa apesar da reiterada afirmação de que o mesmo já foi aprovado dentro da empresa e que, neste momento, tramita em esferas superiores do governo, para aprovação definitiva.
Apesar do discurso petista de que iriam governar junto com os trabalhadores, com transparência e participação dos movimentos sociais, o estatuto da ECT que irá alterar condições de trabalho mantidas durante mais de meio século foi alterado sem nenhuma discussão com a categoria, nem com os próprios cabos eleitorais do PT, que comandam boa parte dos sindicatos dos Correios, e por receio de iniciativas políticas e jurídicas por parte da categoria, tal documento é escondido e sequer oficializado para os trabalhadores.
A criação das chamadas subsidiárias ou concessionárias é uma política aberta de privatização da empresa e demissão da esmagadora maioria dos atuais 110 mil trabalhadores, trocando-os por trabalhadores terceirizados contratados por empresas privadas ou pela própria ECT, como ocorre na Petrobrás.
Uma política de privatização
Wagner Pinheiro adiantou que o novo estatuto permite à ECT criar empresas subsidiárias e participar como acionista minoritária em empresas privadas, repassando tanto para as subsidiárias, quanto para as empresas privadas parte da atividade fim da empresa e, obviamente, os recursos, alem de parte do mercado atualmente monopolizado pelo Estado. Um negócio da China para a iniciativa privada.
No caso da própria ECT fica permitido que cargos de direção e de chefia (os chamados cargos de gestão) possam ser ocupados por pessoas que não pertençam aos quadros da empresa, legalizando o cabide de empregos dentro dos Correios e a administração da estatal com base em interesses exteriores aos dos seus funcionários.
Não por acaso a nova direção empossada pelo governo conta com administradores que fizeram carreira no mercado financeiro. O próprio presidente da empresa tem sua trajetória vinculada ao chamado “grupo dos bancários de São Paulo”, os quais se notabilizaram pelas relações com os banqueiros através dos fundos de pensão e de negócios no governo petista, um dos expoentes desse grupo é o ministro Antonio Pallocci.
O atual presidente da ECT foi funcionário do Banespa e administrador da Petros, fundo de pensão dos petroleiros. Outros dois diretores são oriundos da administração do Banco Central e do Banco do Brasil. Evidente que a definição de pessoas do setor financeiro para gerir a ECT acompanha a política utilizada no setor financeiro de terceirização dos serviços em larguíssima escala, bem como cortes de direitos e rebaixamento salarial da ínfima parcela de funcionários que permanecerem efetivos e concursados.
O cinismo de sempre
Ao final da reunião, membros da Federação Nacional dos Trabalhadores do Correio, fizeram questionamentos sobre o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados dos Trabalhadores, a PLR. Um dos diretores da empresa, sem nenhum constrangimento, declarou que se não houver acordo entre as partes na negociação da PLR, não haverá pagamento deste direito dos trabalhadores em 2011, “pois os trabalhadores precisam cumprir a lei que obriga o acordo entre as partes para pagamento da PLR”, uma declaração, no mínimo, de marciano, pois falar em cumprir a lei, por membro da direção da ECT é falar de corda em casa de enforcado.
Durante todo o ano de 2010 a direção da empresa foi garota propaganda de casos corrupção, desvio de dinheiro público, sucateamento de patrimônio público e diretorias derrubadas por favorecimento a empresas privadas e grupos políticos no governo.
Nem falar do escândalo “menor” envolvendo a administração da empresa no ano passado, por receberem PLR de mais de R$ 40 mil, enquanto os trabalhadores amargavam valores irrisórios.
Os planos do governo Dilma Rousseff para a ECT (que se estruturaram durante o governo Lula) são: terminar e legalizar a privatização da ECT, com a terceirização em larga escala e um ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores.

Correios S.A. - um novo modelo de privatização da empresa

Privatização dos Correios
“Esta diretoria é fruto de um acordo dentro do governo para privatizar a empresa e tentar impor uma derrota aos trabalhadores”
Nessa semana a Fentect, Federação Nacional dos Trabalhadores do Correio, solicitou uma reunião com a nova diretoria da ECT, com o objetivo de apresentar oficialmente os novos diretores e discutir o novo Estatuto da empresa. Leia a entrevista com a companheira Anaí Caproni, membro da Coordenação da Corrente Ecetistas em Luta, que esteve presente na reunião

31 de janeiro de 2011
Causa Operária: Porque a Fentect solicitou uma reunião com a nova direção da ECT, realizada no último dia 25?

Anaí Caproni: Porque nos dias seguintes, à realização da reunião com a direção da ECT, aconteceria reunião do Conselho de sindicatos da Federação Nacional dos Trabalhadores do Correio, o chamado Consin, para, justamente, discutir a questão das mudanças do Estatuto da ECT, notícia que tem tido enorme repercussão nacionalmente. A reunião com a empresa foi uma tentativa de obter informações sobre o assunto, uma vez que é vedado aos trabalhadores o fornecimento de documentação legal e informações oficiais sobre o problema. As representações dos trabalhadores, inclusive a maioria daquelas que apóiam o governo, acabam tendo conhecimento das decisões pela Folha de São Paulo.

Causa Operária: Quem esteve presente na reunião?

Anaí Caproni: Toda a direção da Fentect, o presidente da ECT, Wagner Pinheiro; o Diretor de Operações, José Eduardo Xavier, um militar reformado; o diretor de administração, Nelson Luis Oliveira de Freitas; o diretor econômico-financeiro, Luis Mário Lepka, administrador de carreira do Banco Central; além do diretor comercial, José Furian Filho, ex-diretor regional dos Correios em São Paulo; o diretor de gestão de pessoas, Larry Manoel Medeiros de Almeida, ex-diretor regional dos Correios no Rio Grande do Sul; e o diretor de Tecnologia e Infraestrutura, Antonio Luiz Fuchino, administrador de carreira do Banco.
É importante notar que a composição da atual diretoria mostra que a política de ataque aos trabalhadores não só vai continuar, como se ampliou. Os dois diretores que são funcionários de carreira são conhecidos como “linha dura” no trato com a categoria, tanto em São Paulo como no Rio Grande do Sul. Os novos diretores que não são cargos de carreira do próprio Correio são egressos do setor bancário que não prima pela defesa dos interesses dos trabalhadores, pelo contrário, eles foram os precursores da implantação da terceirização dos serviços e do corte de direitos e benefícios dos trabalhadores, além da política de PDV´s para se livrarem dos trabalhadores mais antigos, contratando jovens com salários e benefícios infinitamente menores.

Causa Operária: O que foi discutido na reunião entre a direção da ECT e a direção da Fentect na última terça-feira?

Anaí Caproni: Basicamente foi uma apresentação oficial dos diretores da empresa, mostrando suas qualificações profissionais e seus objetivos, com a tradicional generalidade destas declarações, procurando evitar definições práticas do que efetivamente vão fazer. Na seqüência solicitaram que os membros da Fentect se apresentassem, naquele ritual básico dos manuais de gerenciamento corporativo de recursos humanos, para tentar comprometer os presentes com determinada “etiqueta” e envolvimento pessoal, situação que provoca certo constrangimento em dirigentes sindicais muito moderados ou limitados culturalmente para divergir ou se colocar de forma mais agressiva contra os frenquentes ataques da empresa nas negociações.
Depois das apresentações o presidente da empresa apresentou o que ele considera como pontos principais da atual proposta de novo estatuto da empresa que já está aprovada pela diretoria e foi enviada ao Ministério das Comunicações.
Os representantes dos trabalhadores solicitaram uma cópia da proposta de novo estatuto, a qual foi negada, com o surpreendente argumento de que os advogados precisariam ser consultados sobre a possibilidade de entrega do documento aos trabalhadores.
O próprio argumento mostra a hostilidade com que a direção da ECT encara os trabalhadores e como as mudanças, obviamente, serão contrárias à categoria. A consulta aos advogados se destina a proteger a empresa de eventuais medidas legais e políticas que a Fentect ou os sindicatos dos Correios em todo o país possam tomar para tentar impedir que o atual estatuto seja colocado em prática.
Sobre o próprio estatuto o presidente da ECT, Wagner Pinheiro, afirmou que uma das questões centrais é a possibilidade de que a ECT crie empresas subsidiárias ou participe como sócia em empresas privadas, inclusive na qualidade de sócia minoritária. Obviamente que esta participação será acompanhada da transferência de determinada parcela do monopólio postal para estas empresas ou para as subsidiárias criadas.
Trata-se de uma privatização dos serviços, sem quebra do monopólio e de uma terceirização em massa dos trabalhadores do Correio, obviamente, com enorme demissão de trabalhadores e cortes de direitos.

Causa Operária: Qual sua avaliação da reunião?

Anaí Caproni: A reunião foi curta, porém bastante esclarecedora. É bastante evidente que a nova direção dos Correios não é uma improvisação, como aconteceu nas gestões anteriores durante todo o mandato do governo Lula. Esta diretoria é fruto de um acordo dentro do governo para privatizar a empresa e tentar impor uma derrota aos trabalhadores.
A questão importante é que se bem haja uma estruturação do governo em torno desta política, o governo Dilma Rousseff é bem mais fraco que a administração Lula e as relações com o movimento sindical são infinitamente mais frágeis do que no governo anterior. Também é importante levar em consideração a onda de mobilizações que cresce em todo o mundo, fruto da crise econômica, da elevação da inflação e do descontrole das contas públicas depois da farra financeira dos últimos anos, onde os bancos e grandes empresários ganharam verdadeiras fortunas. No Brasil os efeitos desta política estão cada dia mais claros.
O governo Dilma Rousseff pretende impor uma política extremamente impopular num período de crescimento das mobilizações o que pode comprometer totalmente o sucesso da proposta de privatização da empresa.

Causa Operária: O Conselho de sindicatos da Fentect discutiu esta questão, da mudança dos estatutos?

Anaí Caproni: Sim, houve um intenso debate sobre o assunto. Todos os grupos políticos, inclusive aqueles que apóiam o governo (Articulação-PCdoB) não tem condições de negar que as mudanças pretendidas são um ataque aos trabalhadores. Estão extremamente acuados pelo desgaste político em suas bases, provocado pela política desesperada de assinar um acordo salarial com validade de dois anos [em 2009], para evitar greves durante as eleições [de 2010]. Boa parte destes sindicalistas foi afastada de seus cargos nas diretorias dos sindicatos em que atuavam, não conseguem falar em assembléias, enfrentam eleições com enormes rachas internos ou estão “na geladeira”, utilizando o jargão conhecido, esperando que a categoria esqueça o que aconteceu. No entanto, o governo do qual foram cabos eleitorais e pelo qual se desmoralizaram diante dos trabalhadores mal foi eleito e já têm que enfrentar um ataque destas dimensões e, o que é pior, sem ganhar absolutamente nada, uma vez que o atual governo não tem nenhuma política de contemporização com os sindicalistas, como acontecia com o governo Lula. Nem as Centrais Sindicais são recebidas pela atual presidenta.

Causa Operária: Quais foram as medidas de mobilização adotadas para lutar contra este ataque aos trabalhadores?

Anaí Caproni: Basicamente nenhuma, somente propostas gerais sem nenhum conteúdo efetivo: mobilizações nas bases, audiência pública, semana de mobilização em Brasília entre os dias 22 e 26 [de fevereiro] etc.
Na realidade eles procuraram evitar cuidadosamente aprovar a proposta do Bloco de Oposição, composto por sindicatos do PCO, sindicatos da esquerda do PT e do PSTU-PSol. O Bloco dos 17, como é conhecido, propôs a realização de um ato público dia 24 em frente ao prédio central dos Correios em Brasília com ocupação da empresa contra os novos estatutos, além da convocação de uma plenária nacional de ativistas da categoria em março para discutir a greve geral dos trabalhadores. Também foi proposto um calendário de mobilizações semanais com a realização de atos públicos nos estados e assembléias para organizar a mobilização nacional.
O Bloco dos 17 se reuniu durante o Conselho de Sindicatos e decidiu impulsionar a mobilização, contra a política de paralisar o movimento nacional, enquanto o governo impõe a privatização. Nas próximas semanas deve acontecer nova reunião para avaliação das decisões finais do Consin.

Causa Operária: Quais as conseqüências da política do bloco Articulação-PCdoB para tentar evitar a mobilização?

Anaí Caproni: Os principais diretores da Fentect ligados ao bloco Articulação-PCdoB, os quais impuseram, de forma ilegal, a aprovação do acordo bianual são totalmente repudiados pela categoria. Quem não foi afastado de seu cargo nos sindicatos, não pode falar em assembléias. O PCdoB foi o grupo mais atingido, enfrentando uma enorme divisão interna, uma vez que perderam postos nos sindicatos e, agora, também perderam boa parte dos privilégios no governo. É evidente a desagregação deste partido na base da categoria e na burocracia sindical.
O bloco Articulação-PCdoB não têm condições de dirigir e controlar qualquer mínima mobilização que aconteça contra os planos de privatização do novo governo. Por isso a política de evitar qualquer reunião de ativistas e atividades que não estejam presentes o seleto grupo da própria burocracia.
Está colocada de forma imediata a coordenação pelo Bloco dos 17 de uma iniciativa nacional contra o novo estatuto da ECT e pelas reivindicações dos trabalhadores.

O Mundo Árabe Desperta

 





Nota dos Editores

O Mundo Árabe Desperta

Os Editores
29.Jan.11 :: Editores

Primeiro foram os protestos em Argel contra a subida dos preços. Depois ocorreram as grandes manifestações da Tunísia, reprimidas com ferocidade pela ditadura de Zin Ben Ali.
O protesto evoluiu para rebelião nacional. Em Washington acreditou-se que a fuga de Ben Ali e a formação imediata de um governo transitório presidido pelo primeiro-ministro Ghanuchi «normalizaria» a situação. Mas isso não aconteceu. O povo manteve-se nas ruas exigindo o afastamento de todos os ex-ministros do ditador incluindo o primeiro-ministro e a punição dos elementos da engrenagem corrupta do Poder.
Na Casa Branca e no Pentágono a inquietação cedeu lugar a uma atmosfera de alarme quando os acontecimentos da Tunísia começaram a abalar o mundo árabe, do Atlântico ao Tigre e ao Golfo Pérsico.
No Cairo e depois em Suez e noutras cidades os egípcios decidiram também desafiar o poder despótico de um regime corrupto e vassalo. Hosni Mubarak respondeu com a repressão. Mas o povo não se intimidou e, em manifestações gigantescas, exigiu a renúncia do presidente e da sua camarilha. Isso no momento em que Mubarak, na presidência há três décadas, se preparava para designar como seu sucessor o filho Gamal.
Quase simultaneamente, em efeito de contágio dominó, os iemenitas tomaram as ruas em Sana, a capital, num movimento de protesto torrencial.
Em Marrocos, o rei, dócil instrumento dos EUA e da França, assustado, decide impedir a subida do preço dos alimentos e de bens essenciais, temendo pelo futuro da monarquia feudal.
Na Arábia Saudita o clima é de tensão. O mesmo ocorre no Sultanato de Oman e na Jordânia, um estado artificial criado pelos ingleses após a I Guerra Mundial.
Registe-se que todos esses países eram (ou são) oprimidos por regimes ditatoriais, tutelados por Washington, cujos governantes actuam como instrumentos da sua estratégia para o Médio Oriente e a África muçulmana.
OS EUA temem sobretudo o rumo imprevisível da situação criada no Egipto, um gigante com quase 80 milhões de habitantes, o país tampão entre a África e a Ásia que controla o Canal de Suez e tem uma fronteira explosiva com a Palestina (Gaza) e Israel.
Mubarak tem sido ao longo dos 30 anos do seu consulado o mais submisso dos aliados de Washington. Com excepção de Israel, é o maior recebedor da «ajuda» financeira norte-americana, 1.300 milhões de dólares por ano, grande parte investida na compra de armamento.
O Egipto foi o primeiro país árabe a estabelecer relações diplomáticas com o Estado sionista de Israel e sem a sua cumplicidade a estratégia de dominação imperialista na Região seria inviável.
É compreensível portanto o temor de Washington (e de Tel Aviv) nascido da rebelião em marcha dos povos árabes contra os regimes ditatoriais que suportam há décadas.
Como era de esperar, os analistas de serviço nos media portugueses acumulam disparates nos comentários aos acontecimentos da Tunísia e do Egipto.
Fazer previsões sobre o desfecho das rebeliões populares árabes que alarmam a Casa Branca e as burguesias europeias, suas aliadas seria uma imprudência.
Mas pode-se afirmar que a saída torrencial das massas às ruas em países aliás muito diferentes, exigindo o fim de regimes autocráticos e corruptos, configura uma derrota do imperialismo.
É significativo que El Baradei (um politico que goza da confiança do Departamento de Estado) tenha voado imediatamente para o Cairo, apresentando-se como alternativa a Mubarak. Cumprir ali a missão de bombeiro no incêndio social egípcio é o seu objectivo. Também na Tunísia, os EUA tudo farão para evitar a radicalização do processo.
Seja qual for o desenvolvimento das lutas populares em curso, a atitude de intelectuais que se apressaram a antever na rebelião tunisina o prólogo de um 25 de Abril árabe é romântica.
Não devemos esquecer o ensinamento de Lenine segundo o qual não há revolução social profunda vitoriosa, que dure, sem que a sua direcção seja assumida por um partido ou organização revolucionária. E tal partido não é identificável na rebelião árabe, marcada pelo espontaneismo.
O tsunami político que agita o mundo árabe deve porém ser saudado com firmeza e entusiasmo pelas forças progressistas em todo o mundo. As massas, assumindo-se como sujeito histórico, tomam as ruas. A rebelião pode desembocar em revoluções democráticas nacionais.
OS EDITORES DE ODIARIO.INFO

Os judeus do Brasil na época de Nassau

O paraíso religioso holandês
A liberdade dos judeus no Brasil de Nassau
Fonte: Pesquisa FAPESP
Carlos Haag
Edição Impressa 179 - Janeiro 2011
© reproduções do livro O Brasil e Os Holandeses / 1630-1654
Rua dos Judeus, em Recife

Com um pragmatismo superado apenas pela argúcia, o Padre Vieira afirmava sobre os judeus, lançando mão de um argumento emprestado de Santo Agostinho: “O esterco fora do seu lugar suja a casa, e posto no seu lugar fertiliza o campo. O mesmo vale para os judeus, que no estrangeiro ajudam os hereges, mas em casa fornecem o capital para manter o Império. Por que transformar vassalos úteis em inimigos poderosos?”. O mesmo senso prático se estabeleceu no Brasil durante a dominação comercial e militar dos holandeses, entre 1630 e 1644, em Pernambuco, onde reinou um ambiente inédito de tolerância religiosa, em especial para judeus. “A capital pernambucana era uma verdadeira ‘Jerusalém colonial’ por causa da utopia da reconstrução do mundo judaico da diáspora. Era uma Babel cultural. Recife, por certo tempo, foi a única cidade do mundo que reunia pessoas das três crenças (judeus sefarditas, católicos e calvinistas) em um único ambiente de tolerância religiosa”, afirma o historiador Ronaldo Vainfas, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autor de Jerusalém colonial: judeus portugueses no Brasil holandês (Civilização Brasileira), pesquisa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). “Nunca antes os judeus alcançaram tamanha liberdade religiosa como no Brasil holandês, em especial durante o governo de Maurício de Nassau”, analisa.
No caso dos judeus, havia, como pregava Vieira, razões concretas para a boa vontade batava. “Os holandeses do governo colonial ou representantes da Companhia das Índias Ocidentais (WIC) apoiavam enfaticamente os judeus porque eles eram os intermediários por excelência dos negócios coloniais”, observa Vainfas. “O ‘tolerantismo’ ou o Estado multirreligioso era visto por muitos governos da época como o caminho mais curto para a deslealdade e para a dissidência interna. Não foi fácil para Nassau implantar essa política, tendo que lutar constantemente contra a ira da maior parte do clero calvinista local e contra pressões de uma política menos tolerante na colônia, exigida pelos diretores da WIC”, afirma o historiador americano Stuart B. Schwartz, professor da Universidade Yale e autor de Cada um na sua lei (Companhia das Letras). “Esse período oferece uma oportunidade limitada de imaginar as possibilidades de tolerância que existiriam na sociedade portuguesa com a redução do poder e da autoridade da Igreja e, acima de tudo, da Inquisição.” Afinal, era a primeira vez que os judeus puderam se reorganizar depois de mais de um século de proibição do judaísmo em Portugal. O processo remonta a 1478, quando os reis católicos instituíram a Inquisição na Espanha, o que levou os conversos, vistos como hereges por se “judaizarem” em sigilo, a fugir para o reino vizinho. O grande afluxo de judeus espanhóis levou a nobreza e a Igreja de Portugal a clamarem por medidas equivalentes à espanhola e, em 1496, o rei português, que nada tinha contra seus súditos hebreus, decretou que todos os semitas deveriam se converter ao catolicismo, o que fez nascer a comunidade dos cristãos-novos. Em 1536, quando a Inquisição chegou a Lisboa, mais uma vez os sefarditas iniciaram uma diáspora, dessa vez em direção aos Países Baixos. Amsterdã passou a ser conhecida como a “Jerusalém do Norte”.
Rituais – “Os imigrantes estavam separados por mais de 100 anos do ju­daísmo dos avós, não sabiam hebraico e só praticavam certos rituais domésticos. Não conheciam nada ou pouco do judaísmo. Para a maioria dos convertidos, a primeira comunidade judia que conheceram foi essa que criaram. Eram ‘judeus novos’ que, no fundo, eram cristãos por formação”, explica Vainfas. O português era a língua falada por eles, conhecidos por isso pelos holandeses como “gente da nação portuguesa”, apelando para o castelhano nas orações e cerimônias das sinagogas. Aos poucos foram ampliando seus direitos, embora fossem uma minoria que se restringia a um gueto em Amsterdã. “Quando os holandeses se instalaram no Brasil, os judeus vieram para o país, a partir de 1635. Essa proteção aos judeus não foi uma decisão de Nassau, mas uma política da WIC”, nota o pesquisador. “A Companhia não tinha fundos para financiar suas operações e foram obrigados a encorajar a migração de judeus portugueses, que se transformaram em operadores e intermediários, fornecendo dinheiro, crédito e os suprimentos necessários para colocar a região de produção de açúcar novamente em funcionamento”, afirma o historiador americano Jonathan Israel, professor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, autor de The expansion of tolerance: religion in dutch Brazil.
“Eram os únicos que falavam português e holandês, o que lhes permitia dominar o comércio da colônia, vantagem combinada a um conhecimento profundo da indústria açucareira. E, ao contrário de Amsterdã, onde só podiam morar, em Pernambuco eram livres para ter lojas e tocar negócios em geral”, diz o americano. “Essa tolerância, porém, não era gratuita, mas fruto da necessidade. A maioria das plantações de açúcar em Recife tinha sido destruí­da na conquista e não havia dinheiro da WIC capaz de restaurar a economia. Foi um caso especial, que não se repetiu em outras regiões dominadas pelos holandeses, como o Caribe ou a Nova Amsterdã”, ressalta Israel. “Eles foram os grandes cobradores de impostos do Brasil holandês. Emprestaram dinheiro a juros para senhores de engenho holandeses ou luso-brasileiros e para cristãos-novos menos afortunados. Até para a WIC os grandes comerciantes judeus emprestaram dinheiro. Foram igualmente distribuidores de escravos”, conta Vainfas. Com o financeiro resolvido, houve espaço para a fé. A congregação Kahal Kadosh Zur Israel foi a primeira fundada nas Américas. “Era algo inimaginável numa colônia portuguesa católica e Nassau sofreu grandes pressões por parte dos pastores calvinistas”, diz o professor da UFF. “Embora o governo holandês protegesse os judeus, os predicantes calvinistas se revelaram mais intolerantes aqui, porque a visibilidade do judaísmo era maior e os privilégios desfrutados pelos judeus eram imensos. Os pequenos e médios comerciantes holandeses odiavam os judeus porque perderam espaço e viram frustradas suas expectativas de enriquecer na colônia. Os calvinistas também nisso esposaram a causa dos negociantes holandeses”, continua Vainfas. Nassau, no entanto, gostava de lembrar aos diretores da WIC que os judeus, ao contrário dos católicos, eram aliados fiéis. A comunidade teve desdobramentos.
Liberdade – “A presença de judeus confessos provocou tensões e sentimentos diversos nos cristãos-novos daqui. Vários dentre esses aproveitaram a relativa liberdade religiosa para se tornarem abertamente judeus”, analisa o historiador Bruno Feitler, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e autor do livro Nas malhas da consciência (Alameda). “Mas muitos cristãos-novos que passaram pelo processo de ‘retorno’ não tinham nenhum conhecimento ou prática da religião ou dos costumes judaicos”, observa. “Causava um grande desconforto aos católicos acompanhar a adesão diária de cristãos-novos à sinagoga, homens e mulheres que antes se diziam cristãos e frequentavam missas. A disposição de muitos cristãos-novos de ‘regressar’ ao judaísmo parecia confirmar o alerta da Inquisição contra o perigo da ‘heresia’ judaica que corria no sangue dos cristãos-novos”, avalia Vainfas. Na luta da restauração portuguesa, os lusitanos também se voltaram para os judeus, aconselhados por Padre Vieira, um curioso conflito de interesses. “No caso de Portugal, o dinheiro judaico foi essencial para a vitória sobre a Espanha. No caso holandês, era importantíssimo nos investimentos da WIC. Os judeus da Holanda investiram nos dois lados da contenda. O desempenho das redes mercantis sefarditas exprimiu a lógica de um capitalismo comercial avançado, capaz de operar entre sistemas monopolistas rivais, colocando em segundo plano razões de ordem política e religiosa”, lembra o pesquisador. Apoiar Portugal era investir na chance de os lusos retomarem o Brasil dos holandeses, responsáveis pela liberdade experimentada pelos judeus. Quando esses foram expulsos, a maioria dos sefarditas deixou o Brasil e foi para lugares controlados pela WIC, o que lhes permitiu superar a experiência pernambucana.
“Alguns foram para a América, mas é um mito que tenham fundado Nova York. Os holandeses de Manhattan temiam que os judeus repetissem por lá o que haviam feito no Brasil: tomar conta do comércio. Isso não ocorreu, porque o português não tinha utilidade na Nova Amsterdã”, diz Vainfas. “Um estudo da cultura brasileira mostra o legado deixado por aqui pelos cristãos-novos, com suas ideias de tolerância e liberdade, com sua defesa de que ‘cada um deve ter a liberdade de adorar Deus conforme sua consciência’. Eles podem, pela sua crítica à Igreja, aos dogmas e ao fanatismo, ser considerados os precursores da ilustração brasileira. Os judeus entraram intimamente na composição étnica do nosso povo, fato decisivo para a formação de nossa mentalidade e para a heterodoxia dos brasileiros”, afirma a historiadora Anita Novinsky, professora da Universidade de São Paulo, autora do livro Cristãos-Novos na Bahia (Perspectiva).

sábado, 29 de janeiro de 2011

Os nacional bolcheviques foram presos durante uma manifestação na Rússia

Uma dezena de manifestantes pró oposição detidos

mundo

As autoridades russas mostram-se cada vez mais intolerantes com a oposição.
Uma dezena de pessoas foram detidas por manifestarem o seu desacordo à detenção
Boris Nemtsov, na sexta-feira em Moscovo.
Sem olhar a idade ou género a polícia tem ordem de reprimir toda e qualquer manifestação contra as decições do governo.
Nemtsov foi detido quando se preparava para participar numa manifestação, na Praça do Triunfo, em Moscovo, em defesa do artigo 31 da Constituição russa, que garante a liberdade de reunião.
A par de Boris Nemtsov, foram condenados, pelas mesmas circunstâncias, a penas de prisão o líder do partido da oposição nacional-bolchevique e escritor russo Eduard Limonov que recebeu igualmente a condenação de 15 dias de prisão, o opositor Konstantin Kossiakine e o dirigente do Solidarnost Ilia Iachine..
Copyright © 2011 euronews

Para criticar e falar mal dos petistas de plantão

Geraldo José - Amigos do nosso blog colocarei um texto da Midia sem Mascara ( o site inimigo no 1 do PT, que álias é sério ) para desmacarar os picaretas destes petistas hipócritas e servis do capitalismo e do stalinismo.

Partido dos Trabalhadores se formou tendo como uma de suas obsessões a “igualdade de gênero” - que não chega a ser grande novidade no mercado das ideologias e tampouco é criação petista. Dia virá em que o partido cogitará  a adição ao seu nome de “e das Trabalhadoras”.
A onda de estudos de gênero que no Brasil se instalou foi criada pelas fundações ativistas norte-americanas, com especial apreço da Fundação Ford, que financia centros de estudo, institutos e grupos ativistas de esquerda no país desde 1962, tendo como principal objetivo fomentar projetos de mudança social em sentido amplo [1].
Tal caldo intelectual e ativista vem tentando alterar o linguajar tradicional do brasileiro, com vistas a uma retificação comportamental de amplo espectro, bem ao modo da novilíngua orwelliana, dotando-se as palavras de um poder mágico de direcionar e determinar o pensamento. Teoricamente, uma vez acostumando as pessoas a falarem a nova língua e dificultando o acesso ao significado original, novos valores seriam incutidos no indivíduo, por acomodação.
 
Mas percebe-se que as palavras por si só não têm todo o poder de controle vislumbrado pelos engenheiros comportamentais, ficando o exercício desse poder a cargo das patrulhas intelectual e cultural enquanto a auto-repressão não se instala de vez na cabeça das pessoas. Nessa etapa final, a auto-censura cerceia o indivíduo dos pensamentos e comentários mais naturais e inócuos, receoso de cometer uma “crimidéia”, na terminologia de 1984.
 
Nesse panorama algo febril, o PT e os partidos de esquerda em geral foram e são as principais forças agentes, os auto-designados portadores do caminho da verdade, aliás como deu a entender a Presidente Rousseff em seu discurso de posse no Congresso Nacional.
 
Segundo Dilma, instrumento e receptáculo simbólico do messianismo lulista [2], Lula e seu partido nos levaram à outra margem da história, como se isso possuísse algum valor ou até mesmo significado. Um messianismo à brasileira, manco, luliano, que não diz para onde leva, algo como “Povo escolhido e soberano, vencedor incólume da crise mundial e dono do pré-sal salvador, os levarei para o outro lado…”, deixando o povo guiado mais confuso do que na hora de preencher o formulário do imposto de renda.
 
Quando o então Vosso Excelêncio Lula era criticado por utilizar a língua de modo desleixado, em sua forma e conteúdo, confiante de estar falando ao coração do povo (o que por si só seria insultuoso), a criadagem do poder saia em sua defesa, afirmando mentirosamente que o mensageiro da verdade e da justiça não tivera condições para aprender a língua pátria. E ademais, essas exigências eram coisas de burgueses desocupados que não sabem o que é crescer se alimentando de calango, isso quando se alimentava…
 
Tal reação da criadagem à crítica pela falta de decoro com a língua por parte do poder exibe, além de sabujice pura e simples, um desprezo para com a inteligência alheia, subentendendo que os governados nunca compreendem o que lhes é dito. Dessa forma, nada poderia ser cobrado do governo porque nunca entendemos as coisas da forma que deveríamos…
 
Mas agora, tendo a Presidente Rousseff iniciado seus estudos em colégio de classe média alta (burguês, diriam os petistas) possuindo graduação universitária, tendo usufruído de todas as condições de berço para ter aprendido o português culto comete monstruosas gafes de lógica e de gramática, insultos à inteligência e ingerências tolas na língua [3], imagino algumas opções de resposta. Ela não teve tempo de aprender o uso correto da língua pois estava defendendo o país com armas na mão, o que é muito mais importante. É preconceito machista por ser a primeira Presidente mulher na-história-deste-país. É capricho feminino, como a estrela vermelha do PT desenhada nos jardins do Alvorada pela ex-primeira dama, “indivídua” destinada ao mais completo oblívio.  
 
E imagino também que nossa Suprema Dirigenta manterá a bem paga camarilha de defesa, a patrulha da novilíngua, o esquadrão de malabaristas-tradutores de dilmês para português, “o que ela quis dizer foi…”, “ela foi mal interpretada…”, os agentes do “veja bem”, como incessantemente experimentamos nos oito anos sob comando do Grande Guia Genial e Infalível.
 
Creio que para além de uma questão vernácula, essa é mais uma pequena constatação do avanço da tolerância para com a deterioração das instituições nacionais, sendo o Presidente da República o foco, o poder em si, o capricho vingativo, e não o símbolo impessoal dos valores republicanos.
 
Notas:
 
[1] Brook, Nigel & Witoshynsky, Mary (org.). Os 40 anos da Fundação Ford no Brasil: uma parceria para a mudança social. São Paulo: Edusp, 2002.
 
[2] Assista ao trecho do vídeo com a declaração de Lula quando em campanha para a então candidata Dilma em http://www.midiaamais.com.br/videos-indicados/4319-dilma-o-tampao-de-lula
 
[3] A propósito de ‘Presidenta’, Napoleão Mendes de Almeida faz as seguintes considerações:
 
“[…] São em português uniformes os adjetivos terminados em nte, como já no latim havia uma só terminação – ns – para o masculino e feminino dos adjetivo de segunda classe, por cujo paradigma se declinavam os particípios presentes: prudente, amante, vidente, lente, ouvinte. Ninguém, pelo menos em português, diz hoje prudenta, amanta, videnta, lenta, ouvinta. Alguns dos adjetivos de tal terminação andam a ser flexionados em nta no feminino quando substantivados: parenta, infanta, governanta. Presidenta, porém, ainda está, ao que parece, no âmbito familiar e chega a trazer certo quê de pejorativo […]” (Almeida, Napoleão Mendes de. Dicionário de Questões Vernáculas, 3ed. São Paulo: Ática, 1996, p.435-6.)
 

Dilma e os documentos da ditadura militar

Dilma Rousseff e os documentos da ditadura militar

O carimbo do temível CIE
Rio de Janeiro - Por Carlos Fico

Estou otimista quanto à consolidação do processo de abertura dos documentos da ditadura militar no novo governo de Dilma Rousseff. A principal razão para isso está no fato de que, quando chefe da Casa Civil, Dilma assinou com o presidente da República um decreto determinando a transferência para o Arquivo Nacional dos acervos do SNI (Serviço Nacional de Informações), do Conselho de Segurança Nacional e da Comissão Geral de Investigações: é de se esperar que, agora, na Presidência da República, tenha uma postura afirmativa em relação às agências do governo ainda renitentes (Itamaraty e comandos militares).

Duas atitudes de Dilma Rousseff me parecem importantes. No dia anterior à sua posse, ela mencionou a necessidade de uma mea culpa da parte da Presidência da República e dos militares a fim de que se constitua uma “narrativa oficial” sobre as mortes e desaparecimentos durante a ditadura. Isso é totalmente novo: embora o governo brasileiro, desde FHC, tenha reconhecido suas responsabilidades em relação às vítimas da ditadura, as Forças Armadas brasileiras nunca o fizeram e, ao contrário, continuam comemorando, na caserna, a “Revolução”.

Isso é um passo importante para a subordinação dos militares ao poder civil — como deve ser em uma verdadeira democracia. Aberrações já aconteceram e nunca foram punidas. Em 2007, um general ministro do STM defendeu um coronel envolvido “apenas” com tortura (e não com assassinatos, como apontou ser o caso em relação a ministro do governo Lula) e disse que o governo já havia gasto dinheiro demais “à procura de osso”. Nada aconteceu com o general da reserva Valdésio Guilherme de Figueiredo, esse personagem lamentável.

Por isso, é muito importante a notícia de que o general José Elito, atual ministro do Gabinete de Segurança Institucional, foi chamado pela presidente Dilma a dar explicações sobre declaração equivocada (ele disse que o desaparecimento de presos políticos durante a ditadura militar não é motivo de vergonha). É preciso que os militares não se sintam uma força autônoma em relação ao governo e, sobretudo, em relação à necessária proeminência do poder civil. Infelizmente, desde o fim da ditadura militar, quase todos os governos civis foram lenientes em relação às insubordinações de alguns militares.

Só a proeminência do poder civil poderá garantir que os arquivos dos órgãos de inteligência militar da ditadura que ainda não foram abertos cheguem ao Arquivo Nacional. A Aeronáutica enviou os documentos do CISA (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica) ao Arquivo Nacional. Ainda que expurgados, são importantes. A iniciativa deveria servir de exemplo aos comandantes do Exército e da Marinha para que também abram os papéis do CIE (Centro de Informações do Exército) e do CENIMAR (Centro de Informações da Marinha).

A documentação histórica é certamente essencial para que possamos enfrentar esse passado traumático, mas a iniciativa da atual presidente – no sentido de negociar omea culpa dos militares – também deve ser saudada como uma novidade positiva em relação aos últimos presidentes.

- -
Lucas Aguiar
(75) 81342339
"Ser jovem e não ser revolucionário, eis uma contradição genética" Che
Diretório Acadêmico de História Isaías Alves UNEB, campus V
CN da FEMEH - Federação do Movimento Estudantil de História