sexta-feira, 16 de maio de 2008

A construção da BR 174

A CONSTRUÇÃO DA BR 174. A abertura dessa estrada é um dos episódios mais abafados e sinistros da história das Forças Armadas brasileiras no período do regime militar. Encobertos pelo AI-5, os militares brasileiros cometeram um dos maiores genocídios da história mundial, muito pior que o dos armênios pelos turcos ou dos judeus pelos nazistas. Em 1968, quando começou a revolta dos waimiris-atroaris contra a abertura da BR-174, sua população era estimada em mais de 6.000 pessoas; em 1974, quando as forças armadas terminaram sua campanha de extermínio, eles eram menos de 500. Dessa guerra restaram, pelo lado dos waimiris-atroaris as lendas dos grandes chefes guerreiros Maiká, Maroaga e Comprido (nomes dados pelos brancos, na verdade seus nomes seriam, muito provavelmente, Sapata e Depini) todos mortos pelo exército. O episódio mais infame dessa guerra, documentada por entrevistas gravadas pelo padre Silvano Sabatini com índios wai-wai, waimiris-atroaris e sertanistas e relatadas no livro Massacre (Edições Loyola, 1998) foi o bombardeio pela Força Aérea Brasileira de uma maloca em que os waimiris-atroaris realizavam uma festa ritual. Nas lembranças na história dos waimiris-atroaris o crime é definido como "maxki" (feitiço). O feitiço que caiu do céu era, na verdade, bombas químicas despejadas pela FAB sobre um povo indefeso. As terras dos waimiris-atroaris abrigam entre outras riquezas a província mineral de Pitinga, uma das mais ricas do mundo e a maior jazida de cassiterita do planeta.

É provável que haja o risco de um novo genocídio contra as populações indígenas de Roraima.

Nossos índios talvez tenham o mesmo fim dos cavalos selvagens de Roraima. Os principais inimigos dos "arrozeiros", chamados nos anos de 1980 a 1982 simplesmente de "gaúchos", e que estavam chegando a Roraima levados pelo governador Ottomar de Souza Pinto, não eram os índios, mas as manadas de cavalos selvagens que invadiam as plantações de arroz para pastar.Esses cavalos selvagens foram dizimados a tiro ou veneno pelos "gaúchos". Os "gaúchos" não eram chamados de "arrozeiros" porque plantavam, na verdade, brachiaria. Como o Banco do Brasil não financiava pastagens, a brachiaria era plantada consorciada com arroz. No primeiro ano, a produção de arroz explodia, enquanto a brachiaria começava a deitar raízes. No segundo, a produção se reduzia à metade ou menos, para praticamente desaparecer no terceiro, quando a pastagem tomava conta das terras. Aí os "gaúchos" reportavam a quebra da safra para negociar as dívidas com o Banco do Brasil. Quem quiser confirmar essa história, basta consultar os arquivos dos financiamentos do Banco do Brasil em Roraima na época. Mais de 25 anos depois, parece que as coisas não mudaram muito por lá.

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4 comentários:

Paulo Renan Rodrigues de França disse...

Olá! Ainda há este livro (Massacre) para vender, pois não consegui achar pelas lojas de Manaus?

Geraldo José - Blog Amazônico, História e Política disse...

Só comprando pela internet amigo

deanderson disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaaffffzzzzzzzzzzzzzzz;;;;;;;;;;;; não encontrei nada q queria.

Ricardo Soares disse...

Ja procurei esse livro e não consegui nada, sabe onde posso encontrar?