quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O sofrimento da tribo dos Tupinambas

18/02/2011

Mulheres Tupinambá mostrando a indignação contra as injustiças sofridas por um Povo, mostradas agora na prisão da Cacique Valdelice


Índios pedem a liberdade da cacíque Valdelice.

Diante dos últimos acontecimentos críticos de extração de alguém muito importante para a comunidade, uma cacique, que de forma brutal foi retirada da comunidade deixando esta despida de seus maiores e melhores valores. Uma mulher indefesa e em defesa do seu povo, colhida ao abandono, presa por todas as circunstâncias ar, espaço, alimento, povo, liberdade de tudo, inclusive de expressão. Como índia professora Tupinambá, repudio a ação injusta de deterem a cacique Valdelice que é incapaz de agir contra a lei imposta pelos dirigentes desta nação. Ser cacique neste país é sinônimo de líder de quadrilha, nós indígenas não temos o direito a organização, querem que fiquemos quietos sem direito a reação a tantas injustiças. Deveriam tem respeito pelos caciques, pois o único defeito dessas pessoas é representar de alma limpa um grupo sofrido. Espero resposta urgente do governo Dilma, resposta a uma mulher cacique ansiosa pela liberdade de ir e vir de seu povo. Demarcação Já.

Mboesara, liderança Tupinambá

Eu sou Tupinambá, índia guerreira, venho de um tronco forte. Junto com os meus parentes venho lutando em busca da garantia dos nossos direitos. Nós lutamos por nossa terra em conjunto com nossos caciques, lideranças e toda a comunidade. O índio precisa de terra para sobreviver, sem ela não há vida para nós. Eu enquanto mulher e mãe guerreira, luto pela força e coragem da nossa cacique, nossa união vai fazer valer.

Sônia Alves Tupinambá

 Eu sou índia guerreira, lutadora e venho atuando na educação indígena, tenho uma filhinha de dois anos, desejo tudo de bom para ela, assim como eu desejo para todos os meus parentes. A minha cacique sempre foi Maria Valdelice Amaral de Jesus, uma índia guerreira corajosa, lutadora e conquistadora que luta pelos nossos direitos, tanto na saúde, educação e território, quanto por outras causas indígenas.
Eu fiquei surpresa com a notícia de que ela foi presa, eu não acreditei no que fizeram com ela. Uma guerreira ótima, sem maldades, sendo presa, uma injustiça, mas ela vai sair dessa com fé em Tupã. Desejo tudo de bom para você cacique, felicidades, confia em Deus, ele resolverá todas as causas.

Joelma Tupinambá.

 Até quando vamos ser perseguidos dessa forma. Nossos direitos não são respeitados. Aumenta a indignação contra quem luta por seus direitos. O Estado brasileiro ainda tem muito a melhorar. Começando principalmente com as questões indígenas, pois o preconceito é muito grande. Há momentos na vida em que se deveria calar e deixar que o silêncio falasse ao coração. Mas há sentimentos que a linguagem não expressa e há emoções em que as palavras não sabem traduzir. Tenho certeza que Tupã vai abençoar e dar coragem para enfrentar essa batalha, pois a guerra ainda não está vencida. E um dia a injustiça e as pessoas que nos perseguem estarão em seus devidos lugares.

Inaiá Tupinambá  

Infelizmente a injustiça ainda mora no Brasil.
A cacique Inocentemente presa por lutar pelos direitos de um povo. Mas ainda tem pessoas burras e preconceituosas que só sabem criticar. Ninguém faz o bem. Só sabe fazer o mal, pois a cacique é uma pessoas que transmiti amor para todos, mas infelizmente está passando por obstáculo, mas ela é muito guerreira e vai quebrar essa barreira. Por que Tupã e todos nós estamos com ela.

Tawany – Priscila Tupinambá

 Peço a esses governantes que parem de perseguir nós indígenas, nós não somos invasores de terras, somos os donos dela. Isso que fizeram com nossa cacique Maria Valdelice – Jamopoty – é injusto e cruel. O juiz deu uma ordem de prisão a uma inocente, sem conhecer a integridade e o bom caráter dessa mulher. Isso é perseguição a nossa liderança, por ser mulher e guerreira por nossos direitos. Será que nós não podemos mais lutar por uma terra, uma educação e uma saúde de qualidade? Temos que ficar calados por medo de sermos perseguidos. Temos os nossos direitos e lutamos por ele. Nós estamos aqui esperando mais uma vitória.

Amatiri Tupinambá

 Nós mulheres indígenas estamos a cada dia ocupando mais espaço dentro de nossas comunidades. Temos os mesmos direitos de lutar, trabalhar e estudar para alcançarmos nossos objetivos, que é a conquista pelo nosso território. Temos pessoas formadas e capacitadas em diversas áreas, não deixando o lado mãe, rainha do lar. Valdelice por sua vez, é uma mulher guerreira, que luta pelo seu povo, em busca de melhorias para sua comunidade, como todas, ela também é mãe, tem seu lar, e nós sabemos que o preconceito por uma grande parte de não índios é muito grande, isso aumenta as acusações em torno da comunidade.

 Maria Conceição Maenduaba Tupinambá

 Texto feito pelas índias: Mboesara, liderança Tupinambá,Sônia Alves Tupinambá,Joelma Tupinambá,Inaiá Tupinambá,Tawany – Priscila Tupinambá,Amatiri Tupinambá,Maria Conceição Maenduaba Tupinambá.

Apoio: Francisco Vanderlei Ferreira da Costa
Professor da Licenciatura Intercultural Indígena
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia
(73) 9967 7509
Skype: franciscovanderlei
Colaboradora: Yonana Pataxó Hãhãhãe- Indios-online.

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